17 de fevereiro de 2026
Estava scrollando pelo Cosmos, ainda tentando me adaptar a uma plataforma digital parecida com o Pinterest, mas que seja minimalista e não trabalhe com algoritmo ou tenha anúncios que despertem o meu consumismo. De qualquer forma, desviei um pouco do assunto, mas a intenção é dizer que me deparei com uma imagem no Cosmos que me chamou atenção. Era uma imagem com fundo branco e escrito em preto negrito: "If not now, when?"
Essa frase me arremeteu a algo que a Emma Watson falou no discurso da ONU em 2014 para o lançamento da campanha HeForShe (ElePorEla): Se não eu, quem? Se não agora, quando?
Quando assisti esse discurso eu tinha dezesseis anos e foi durante uma das piores épocas da minha vida em que eu simplesmente não conseguia me encaixar em nenhum lugar, mesmo estando na mesma escola desde a 1ª série do Ensino Fundamental. Era agoniante e insuportável viver no meu próprio corpo às vezes, principalmente por pensar que devia ter algo de muito errado comigo. Por que todas as outras crianças conseguem sorrir fácil, encontraram seu grupo de amigos e ao mesmo tempo se dão bem nos estudos, e eu não? É claro que não era apenas isso, também sofria bullying por grande parte dos meus colegas. Vale salientar: TODOS OS MENINOS! E um breve spoiler: mais de 10 anos depois de 2014, aos vinte e sete anos fui tardiamente diagnosticada com TDAH-I (o que explica grande parte do porque eu não conseguia ir bem nos estudos).
Voltando a 2014 e ao discurso da Emma, ouvir e assistir aquilo aos dezesseis anos foi como um abraço aconchegante. Antes eu nunca tinha ouvido falar sobre o conceito de "feminismo" ou sobre o fato de mulheres realmente são uma comunidade unida (as meninas da minha idade que eu conhecia comprovavam o contrário). O discurso me atravessou de uma forma tão grandiosa que até hoje, quase 12 anos depois, eu ainda me lembro de várias frases que a Emma disse naquele dia. E pela primeira vez eu senti que eu fazia parte de alguma coisa, então olhando para trás, mesmo estando vivendo um momento ruim, consegui enxergar no movimento "HeForShe" da ONU e no feminismo, uma centelha de esperança de que a união de tantas mulheres e alguns homens que apoiassem a campanha, faria a diferença. Atualmente, eu vejo que não. O feminismo ainda existe, mas a misoginia, o conservadorismo, o machismo e a violência contra a mulher quase sempre estão levando o melhor. É triste pensar o quanto parece que o movimento feminista como um todo está regredindo... No entanto, é nostálgico e me traz um sentimento bom me lembrar desse momento da minha vida, apesar das coisas ruins, é incrível perceber que consigo olhar para trás nessa memória e conseguir tirar algo bom disso.
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onirismo